PPRER: Programa de Pós-graduação em Relações Étnico-Raciais
- Detalhes
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
COM O TÍTULO
"Indígenas em diáspora étnica: etnogenocídio e reexistência em Pindorama"
Por: Okara Yby (Gabriella Araujo de Figueiredo)
Resumo:
Este trabalho conceitua os indígenas em diáspora étnica, pessoas de ascendência indígena que, em razão de um intenso processo histórico de etnogenocídio, tiveram seus vínculos étnicos e comunitários degradados e hoje reivindicam a autodeclaração indígena sem contar com reconhecimento étnico prévio. O trabalho tem natureza qualitativa e exploratória, com enfoque teórico-conceitual, articulando produções de autores indígenas e literatura acadêmica das áreas de Antropologia, Direito, Estudos Étnico-Raciais, História e Psicologia. O direito à autodeclaração indígena é revisado à luz da Constituição de 1988 e da Convenção 169 da OIT, dialogando com intelectuais indígenas que discutem o aumento das autodeclarações indígena na última década, como Casé Angatu, Givanildo da Silva, Sassá Tupinambá e Sérgio Ferro, para propor o conceito de indígenas em diáspora étnica. O enquadramento desse grupo sob categorias como "descendente de índio", "caboclo" e "pardo" é criticado, levando em consideração a relação dessas categorias com os processos coloniais e estatais de apagamento indígena. É apontada a escassez de pesquisas e dados sobre essa população e a necessidade de compreender as demandas de saúde, educação, empregabilidade, moradia, segurança etc desse grupo, bem como da mobilização política própria dos indígenas em diáspora étnica. A partir da chave conceitual degradação-restauração-regeneração, entende-se que a restauração do pertencimento - reconexão e autoafirmação de indígenas em diáspora étnica - é uma forma de produzir reparação histórica e fortalecimento das lutas indígenas, assim como um estopim para a regeneração da vida: a transformação estrutural da sociedade colonocapitalista, capaz de regenerar os vínculos entre pessoas, comunidades, espécies e a terra.
Palavras-chave: Autodeclaração indígena; Colonocapitalismo; Diáspora Étnica Indígena; Etnogenocídio; Indígenas em Diáspora Étnica
Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:
Profa. Dra. Flávia Pinheiro Meireles (Orientadora - PPRER-Cefet/RJ)
Profa. Dra. Mariana Vitor Renou (Coorientadora - PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dra. Thais Costa da Silva (Examinadora interna - PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dr. Sergio Pessoa Ferro (Examinador externo - UFOB)
Local, Data e Horário
. Videoconferência: Plataforma Microsoft Teams
. Link (Teams):
https://teams.microsoft.com/meet/210220633033037?p=QSjxUmmqeT7JlVkjk0
. 22 de outubro de 2026
. 14h
- Detalhes
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
COM O TÍTULO
"Entre afetos e (des)encantos: lavouras da escuta, escrevivências e a permanência de mulheres negras na pós-graduação"
Por: Martha Daniele Santos
Resumo:
Esta dissertação analisa como as dinâmicas dos afetos organizam processos de exclusão, reconhecimento e permanência nas trajetórias de mulheres negras ingressantes e egressas do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais (PPRER) do CEFET/RJ. Parte-se da compreensão de que a permanência na pós-graduação não se reduz à duração do vínculo institucional ou à conclusão do percurso acadêmico, mas envolve dimensões materiais, afetivas, relacionais e epistêmicas. O estudo articula as contribuições de Safatle, Lélia Gonzalez, Nilma Lino Gomes e Conceição Evaristo, em diálogo com outras intelectuais negras e referências afrorreferenciadas. A escrevivência, compreendida como elaboração teórico-epistêmica da experiência, orienta o tratamento e a escrita das narrativas produzidas no campo. Metodologicamente, a investigação foi organizada pela Pesquisa-Enraizamento, abordagem qualitativa, crítica e situada, que articulou levantamento e reauditoria documental, Conversagens, corporeificação e elaboração das narrativas, devolutiva às interlocutoras e análise por meio da Germinação. O levantamento documental permitiu identificar padrões de registro, lacunas e descontinuidades nas informações relativas às trajetórias acadêmicas, à composição racial e às modalidades de ingresso, evidenciando os limites do arquivo institucional para acompanhar longitudinalmente determinadas dimensões da experiência. As oito narrativas produzidas com as interlocutoras permitiram compreender aspectos que os registros administrativos não apreendem integralmente, especialmente experiências de reconhecimento, desamparo, cuidado, pertencimento, interrupção, permanência e reexistência. Os resultados indicam que a permanência de mulheres negras na pós-graduação constitui processo atravessado por condições materiais e atitudinais, redes de apoio, relações de reconhecimento e disputas em torno da legitimidade de suas presenças e saberes.
Palavras-chave: Afetos; escrevivência; mulheres negras; pós-graduação; permanência.
Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:
Profa. Dr. Alexandre de Carvalho Castro (Orientador - PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dra. Maria Cristina Giorgi (Examinadora interna - PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dra. Dayala Paiva de Medeiros Vargens (Examinadora externa - UFF)
Prof. Dra. Maria Simone Euclides (Examinadora externa – UFV-MG)
Prof. Dra. Alexandra Lima da Silva (Examinadora externa - ProPed/UERJ)
Prof. Suellen Thomaz de Aquino Martins (Examinadora externa - PGER/UFSB)
Local, Data e Horário
. Videoconferência: Plataforma Microsoft Teams
. Link (Teams):
https://teams.microsoft.com/l/meetupjoin/19%3a6ff0afd40ada494883bc52a0c702eef5%40thread.tacv2/1791161809587?context=%7b%22Tid% 22%3a%228eeca404-a47d-4555-a2d4-0f3619041c9c%22%2c%22Oid%22%3a%226f60dadc-a12e-4aee9777-2cc5aa20edae%22%7d
. 9 de outubro de 2026
. 10h
- Detalhes
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
COM O TÍTULO
“A caixa decolonial e a (com)feitagem de produtos educacionais: Uma proposta de confluência de saberes para a ERER”
Por: Kamilla Augusta Broedel Ferreira
Resumo:
A presente dissertação apresenta e analisa a trajetória de (com)feitagem da "Caixa Decolonial", um dispositivo pedagógico constituído por bonecos de feltro com diversas tonalidades de pele, construídos e customizados para e pelas próprias crianças da Educação Infantil. Ancorada nos pressupostos da pesquisa-ação e da escrevivência de gestão, a investigação reflete uma práxis de vinte anos de atuação no chão da escola pública, no Espaço de Desenvolvimento Infantil Chácara do Céu, localizado na comunidade Chácara do Céu, no Complexo do Borel, Rio de Janeiro. Utilizando a analogia culinária da feitura de um bolo como operador conceitual e procedimental, o trabalho tensiona a histórica e violenta herança cartesiana que cinde o corpo e a mente no espaço escolar, reivindicando o brinquedo como acervo legítimo de produção de saber sensível. Fundamentado nas contribuições teóricas e insurgentes de Paulo Freire, Luiz Rufino, bell hooks, Frantz Fanon e Antônio Bispo dos Santos, propõe-se a categoria operativa do "avesso colonial" e da "vadiagem pedagógica" como caminhos para desconstruir os padrões de branquitude e o adultocentrismo que imobilizam as infâncias. A análise dos transbordamentos de campo, mapeados entre as aplicações de 2022 a 2026, certifica a eficácia do dispositivo ao neutralizar o sofrimento do preconceito fenotípico e os desejos de branqueamento, culminando no brincar livre e descompromissado como força de humanização e reexistência. Por fim, conclui-se que a consolidação desta proposta metodológica se realiza como um ato corpóreo, de dengo e de festa comunitária, capaz de disseminar alegria e esperança na construção de uma educação pública inegociávelmente democrática e antirracista.
Palavras-chave: Relações Étnico-raciais; Educação antirracista; Educação Infantil; Pesquisa-ação; Escrevivência.
Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:
Prof. Dr. Alexandre de Carvalho Castro (Orientador - PPRER-Cefet/RJ)
Profª. Drª. Georgia de Souza Assumpção (Examinadora externa - ENCE)
Profª. Drª. Dayala Paiva de Medeiros Vargens (Examinadora externa - UFF)
Profª. Drª. Maria Cristina Giorgi (Examinadora interna - PPRER-Cefet/RJ)
Local, Data e Horário
. CEFET/RJ - Campus Maracanã, Auditório 5, Bloco E, 5o andar
. 31 de agosto de 2026
. 17h
- Detalhes
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
COM O TÍTULO
“A biblioteca vista pelas margens: o olhar de estudantes que utilizam políticas de ações afirmativas sobre as bibliotecas de universidades federais”
Por: Camila Evelin Roque
Resumo:
As Políticas de Ações Afirmativas (PAAs) visam eliminar ou diminuir desigualdades que surgem a partir da discriminação e da hierarquização social. São exemplos de PAAs as leis nº 12.711/2012 e nº 12.990/2014, que instituíram, respectivamente, a reserva de vagas em cursos das instituições federais de ensino e em concursos públicos federais. A presença de mais pessoas negras, indígenas e quilombolas no corpo discente, docente e técnico-administrativo das universidades evidenciou o racismo epistêmico sob o qual operam muitas destas instituições de ensino. Frente ao exposto, questiono: a partir de quais caminhos e práticas é possível tornar as Bibliotecas Universitárias (BUs) espaços mais enegrecidos, aquilombados e indigenizados, onde os mais diversos sujeitos se sintam acolhidos e livres para transitar, epistêmica e fisicamente? Partindo desta questão de pesquisa, o objetivo deste trabalho é conhecer a visão que estudantes usuários de políticas públicas de ações afirmativas possuem sobre BUs e sua importância para a formação. Para tanto, me valho do método de história de vida. Entrevistei quatro pessoas usuárias de políticas de ações afirmativas e que tiveram contato com a Biblioteca Central do Gragoatá (BCG), da Universidade Federal Fluminense (UFF). São pessoas negras e indígenas que concordaram em compartilhar sua história e a maneira como essa se entrelaça (ou não) com a biblioteca e com as políticas de ações afirmativas, tais como as cotas sociorraciais, o Pró-jovem, o programa Pé de Meia e outras ações para permanência estudantil. Isso me permitiu constatar que as ações afirmativas estão para além da entrada e permanência no ambiente universitário, requerendo também a reestruturação de currículos, acervos e práticas didático-pedagógicas. As pessoas entrevistadas ressaltam a importância da biblioteca enquanto espaço físico que oferece suporte e conforto para os estudos, mas propõem também que haja maior oferta de serviços culturais e artísticos. Além disso, os relatos provocam reflexões sobre aspectos de colonialidade presente nas bibliotecas, tidas muitas vezes como espaços de erudição associada a uma elite, o que causa interdições. Por fim, é de suma importância que as bibliotecas universitárias sejam instrumentos de descolonização dos saberes. Não basta apenas o discurso antirracista: ações são necessárias para o acolhimento e atendimento das demandas de pessoas estudantes e servidoras negras, indígenas e quilombolas que circulam pelos espaços acadêmicos. As discussões sobre a atuação das BUs devem ser ampliadas e o combate ao racismo epistêmico é fundamental para que paradigmas coloniais sejam definitivamente rompidos. Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Colégio Pedro II e recebeu o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) de número 92039625.6.0000.9047.
Palavras-chave: políticas públicas de ações afirmativas; bibliotecas universitárias; racismo epistêmico; história de vida
Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:
Prof. Dr. Dyego de Oliveira Arruda (Orientador - PPRER-Cefet/RJ)
Profª. Drª. Franciéle Carneiro Garcês da Silva (Examinadora externa - PPGCI-ICSA/UFPA)
Profª. Drª. Talita de Oliveira (Examinadora interna - PPRER-Cefet/RJ)
Local, Data e Horário
. CEFET/RJ - Campus Maracanã, Auditório 5, Bloco E, 5o andar
. 22 de setembro de 2026
. 15h
- Detalhes
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
COM O TÍTULO
"Raça, racismo e cidadania: a Constituição Federal dos sonhos"
Por: Sabrina Moraes Nascimento
Resumo:
Esta dissertação analisa a presença do debate racial entre as 72.719 cartas enviadas por cidadãos brasileiros aos/às constituintes brasileiros/as entre os anos de 1986 e 1987. Em suma, o estudo foi motivado pela publicação do portal “A Constituição dos Sonhos”, pelo Senado Federal, que trouxe à tona registros históricos sobre as demandas da sociedade brasileira no período histórico da redemocratização. A pesquisa examinou a incidência da população negra na formulação da Constituição Federal de 1988, explorando as cartas enviadas e analisando se reivindicações por direitos foram incorporadas – ou não – ao texto constitucional. A metodologia incluiu análise documental das cartas e uso de filtros por termos como “raça” e “racismo”. Os conceitos centrais do trabalho dialogaram com importantes autores/as das relações raciais, como Kabengele Munanga, Neusa Santos Souza, Silvio Almeida e Florestan Fernandes. A pesquisa, em linhas gerais, resgatou o impacto da construção social da raça e do mito da democracia racial, expondo como discursos hegemônicos ocultam desigualdades históricas. Também foram mobilizados conceitos sobre racismo institucional, racismo estrutural e a articulação dos movimentos negros, analisando suas iniciativas de formação e encontros e desdobramentos legislativos pós-Constituição de 1988, como o Estatuto da Igualdade Racial (2010) e a Lei de Cotas (2012 e 2014, recentemente atualizadas). A dissertação se propôs, portanto, a analisar quais demandas raciais foram contempladas na Constituição Federal de 1988, avaliando os impactos dessa participação no campo legislativo e político ao longo das décadas seguintes. Nos últimos capítulos, foram discutidos os limites das previsões legais da Constituição frente à efetivação dos direitos sociais e raciais, bem como as implicações da ausência de um processo de reparação histórica pela escravidão no Brasil.
Palavras-chave: Raça; Racismo; Cidadania; Memória; Democracia.
Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:
Prof. Dr. Dyego de Oliveira Arruda (Orientador - PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dr. Mário Luiz de Souza (Examinador interno - PPRER-Cefet/RJ)
Profa. Dra. Ana Luisa Araujo de Oliveira (Examinadora externa - UNIVASF)
Prof. Dr. Ronilson de Souza Luiz (Examinador externo - UFSB)
Local, Data e Horário
. Videoconferência: Plataforma Microsoft Teams
. Link (Teams):
https://teams.microsoft.com/meet/243803606896777?p=EXz8sSqnoUjvwzUXo1
. 9 de julho de 2026
. 14h
- Narrativas que vieram do mar: memórias de Mãe Maria de Yemoja (importância da figura feminina dentro do candomblé da Baixada Fluminense)
- Insurgência burocrática, racismo ambiental e a política "Cada favela, uma floresta"
- Francisca Luis: em busca de uma ancestralidade negra e lésbica brasileira
- Entre o asfalto e a informalidade: juventude negra, desigualdade racial e precarização do trabalho em Realengo (RJ)
