Nos dias 29 novembro, 1 e de 2 de dezembro de 2021, o Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da UFRJ oferecerá o minicurso “Metodologias das oprimidas, da emancipação e dos saberes fora das fronteiras – Conversas com Chela Sandoval, Glória Anzaldúa e a escrevivência de Conceição Evaristo”. O minicurso será ministrado pela Profa. Dra. Fátima Lima (PIPGLA/PPRER). O minicurso é gratuito e aberto a toda comunidade acadêmica. Vagas limitadas. Serão emitidos certificados.
Maiores informações abaixo.
Inscrições pelo link: https://forms.gle/G8BHXFxTNSeyx7pTA
Link do classroom: https://classroom.google.com/c/NDI0NDI5MjgxMzA3?cjc=e346msq
Ementa:
O cerne da oficina consiste em, partir do livro da intelectual chicana Chela Sandoval “Methodology of the Oprressed – Theory out of bounds” (2000), pensarmos, a partir do que a autora chama de “consciência oposicional no mundo pós-moderno” (consciência diferencial oposicionista), como emergiram, a partir das experiências oprimidas feministas de cor e negras, práticas de resistências, produzindo um movimento social e uma consciência capaz de romper as linguagens da supremacia epistemológica, provocando uma DESCOLONIZAÇÃO da teoria e do método. Na oficina, vamos trabalhar com a ideia de ‘amor’ em Chela Sandoval e como esta é incorporada epistemo-metodologicamente, ou seja, “(...) como uma tecnologia política, como um corpo de saberes, artes, práticas e processos para re-formulação (re-forming) de si e do mundo” (Sandoval, p.). Esse diálogo será construído junto ao pensamento da chicana Gloria Anzaldúa, principalmente as noções de fronteira e consciência da nova Mestiza. A partir das discussões apresentadas pelas autoras, situada no âmbito do feminismo de cor, decolonial e negro, convocaremos a Escrevivência, como forjada por Conceição Evaristo e amplificada por outras intelectuais negras, para conversar com as ideias de consciência oposicional e metodologia das/os oprimidas/os em Chela Sandoval, com a língua fronteiriça e indomável de Gloria Anzaldúa e com a possibilidade de que a consciência diferencial que a escrevivência possibilita é uma ferramenta potente para a descolonização das teorias e, principalmente, das metodologias. Nesse processo, noções como texto acadêmico, escrita acadêmica, autoria, epistemologias, metodologias, entre outros são interpelados fazendo emergir outras possibilidades epistemológicas e investigativas atravessada pela vivência epidérmico-social-genderizada. Por fim, a oficina tem como fio condutor o fortalecimento de outras metodologias corporificadas e aterradas, metodologias que emergem das experiências singulares e coletivas em diferentes formas de opressão. Esse movimento, levado com força pela comunidade acadêmica de mulheres, mulheres latinas, indígenas, negras, pela intelectualidade negra e indígena, pela comunidade trans, pelos trabalhadores e operários que passaram a ocupar os espaços acadêmicos, enfim uma embarcação de pessoas que estão fora e em tensão com a matriz cis heterossexual racista e as epistemo-metodologias que a sustenta, tem amplificado, forjado e recriado metodologias com forças de descolonização. É sobre isto a oficina.
Programa:
Dia 29/11 – Conversas na e fora das fronteiras
SANDOVAL, Chela. Methodology of the Oppressed (Theory Out of Bounds). London, University of Minneapolis, 2000.
SANDOVAL,Chela. Foundations in Neocolonial Postmodernism Chapter 1. Fredric Jameson: Postmodernism Is a Neocolonizing Global Force. Chela Sandoval. Methodology of the Oppressed (Theory Out of Bounds). London, University of Minneapolis, 2000.
SANDOVAL, Chela. Love in the Postmodern World: Differential Consciousness III
Chela Sandoval. Methodology of the Oppressed (Theory Out of Bounds). London, University of Minneapolis, 2000.
SANDOVAL, Chela. Love as a Hermeneutics of Social Change, a Decolonizing Movida
Chela Sandoval. Methodology of the Oppressed (Theory Out of Bounds). ). London, University of Minneapolis, 2000.
ANZALDÚA, Glória. Borderlands – La Frontera. Madrid, Capitán Swing, 2000. ( Capítulos a escolher)
ANZADÚA, Glória. Como domar uma língua selvagem. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Difusão da língua portuguesa, no 39, p. 297-309, 2009
ANZALDÚA, Glória. A vulva é uma ferida aberta. In: A Vulva é uma ferida aberta & outros ensaios. Rio de Janeiro, A Bolha Editora, 2021.
ANZALDÚA, Glória. Sobre o processo de escrever Bordlands/La Frontera. In: A Vulva é uma ferida aberta & outros ensaios. Rio de Janeiro, A Bolha Editora, 2021.
ANZALDÚA, Glória. Falando em línguas: uma carta para mulheres escritoras do terceiro mundo. In: A Vulva é uma ferida aberta & outros ensaios. Rio de Janeiro, A Bolha Editora, 2021.
Dia 01/12 - Conversas Escreviventes
EVARISTO, Conceição. A escrevivência e seus subtextos. In: Duarte, Constância lima & Nunes, Isabella Rosado. Escrevivência: a escrita de nós – reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro, Mina Comunicação e Arte, 2020.
EVARISTO, Conceição. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: Duarte, Constância lima & Nunes, Isabella Rosado. Escrevivência: a escrita de nós – reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro, Mina Comunicação e Arte, 2020.
FELISBERTO, Fernanda. Escrevivência como rota de escrita acadêmica. In: Duarte, Constância lima & Nunes, Isabella Rosado. Escrevivência: a escrita de nós – reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro, Mina Comunicação e Arte, 2020.
BORGES, Rosane. Escrevivência em Conceição Evaristo: armazenamento e circulação de saberes silenciados. In: Duarte, Constância lima & Nunes, Isabella Rosado. Escrevivência: a escrita de nós – reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro, Mina Comunicação e Arte, 2020.
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte, Mazza, 2003.
EVARISTO, Conceição. Becos da Memória. Belo Horizonte, Mazza, 2006.
EVARISTO, Conceição. Olhos d´água. Rio de Janeiro, Pallas, 2016.
EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. Belo Horizonte, Nadyala, 2011.
EVARISTO, Conceição. História de leves enganos e parecenças. Rio de Janeiro, Malê, 2016.
Dia 02/12 – ConversatóriA
Esse dia será dedicado às nossas trocas, conversas encruzilhadas, partilhas, rotas, fugas, conjurações.
Minicurso "Metodologias das oprimidas, da emancipação e dos saberes fora das fronteiras – Conversas com Chela Sandoval, Glória Anzaldúa e a escrevivência de Conceição Evaristo”
- Details
