No dia 23 de agosto de 2021, às 17h, acontece o primeiro evento da parceria PPRER-Cefet/RJ e LabFeminista/UFRJ. O encontro será transmitido online simultaneamente pelos canais do PPRER e do LabFeminista no YouTube.
Retomando a questão do pertencimento (a si mesmx, a uma comunidade, à terra), este encontro reúne dois artistas cujo trabalho é atravessado pela conexão e pelas múltiplas interações entre corpo, palavra e terra. O que significa pertencer e, mais ainda, quais são os seus efeitos nas práticas artísticas, ativistas, sociais e acadêmicas? Como essas interações e essas práticas podem reverter uma relação com o território completamente marcada pela lógica da propriedade em um sistema capitalista que iguala território à exclusão?
Revertendo a lógica de propriedade e, portanto, de expropriação dos corpos, da linguagem e da terra, o pertencimento conjuga produção de vínculo que não seja exclusivamente centrado na noção de propriedade privada e propõe uma aderência e contato – interconexão – entre os seres vivos (biodiversidade), entre os corpos e o ambiente (manejo da terra) e dos corpos entre si, em sua diferença irredutível.
Como se poderia pensar pertencimento convocando espacialidades e movimentos para além de quem se fixa numa determinada localidade em oposição a quem transita? Como pertencer às palavras, ao seu corpo, à sua terra? E como, num mesmo gesto, mover-se diasporicamente ou em conexões múltiplas com o seu território de origem?
Convidades:
Tom Grito e Lian Gaia
Mediação: Flavia Meireles (Cefet/RJ) e Mariana Patrício (UFRJ)
Data: 23 de agosto de 2021 as 17h
Tom Grito é poeta. Pessoa transmasculina e não binário. Utilizou o cisheterônimo Letícia Brito até 2019.Dedica-se à poesia falada (spoken word/poetry slam) e às micro-revoluções político-sociais onde a poesia incinera, afaga, afeta e transforma.
Lian Gaia é atriz e performer nascida em Belford Roxo, é indígena do povo kariri da Paraíba por parte paterna vem de família ativista nas causas das Ligas Camponesas de Sapé/PB cuja a história foi relatada em um dos documentários mais importante já produzido no Brasil: “Cabra Marcado Para Morrer” de Eduardo Coutinho e sua família materna indígena retirada do estado do Amazonas habitam a Baixada Fluminense/RJ. Gaia usa sua arte para dar visibilidade à voz de seu povo.
Flavia Meireles é artista, professora de dança e do Programa de Relações Étnico-Raciais (PPRER) do Cefet/RJ. Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Seus temas de interesse são dimensão social da arte, capitalismo neoliberal, movimentos sociais, ativismo, contextos e práticas artísticas, feminismo decolonial, intelectualidade e tecnologias dos povos originários e movimentos indígenas.
Mariana Patrício Fernandes é Professora Adjunta do Departamento de Ciência da Literatura da UFRJ e do PPG de Ciência da Literatura da mesma universidade. É uma das coordenadoras do Laboratório de Teorias e Práticas Feministas - PACC/UFRJ, com pesquisa sobre as relações entre estética e política na literatura e na dança.
