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A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à

DEFESA DE DISSERTAÇÃO

COM O TÍTULO

“A biblioteca vista pelas margens: o olhar de estudantes que utilizam políticas de ações afirmativas sobre as bibliotecas de universidades federais”

Por: Camila Evelin Roque

 

Resumo:

As Políticas de Ações Afirmativas (PAAs) visam eliminar ou diminuir desigualdades que surgem a partir da discriminação e da hierarquização social. São exemplos de PAAs as leis nº 12.711/2012 e nº 12.990/2014, que instituíram, respectivamente, a reserva de vagas em cursos das instituições federais de ensino e em concursos públicos federais. A presença de mais pessoas negras, indígenas e quilombolas no corpo discente, docente e técnico-administrativo das universidades evidenciou o racismo epistêmico sob o qual operam muitas destas instituições de ensino. Frente ao exposto, questiono: a partir de quais caminhos e práticas é possível tornar as Bibliotecas Universitárias (BUs) espaços mais enegrecidos, aquilombados e indigenizados, onde os mais diversos sujeitos se sintam acolhidos e livres para transitar, epistêmica e fisicamente? Partindo desta questão de pesquisa, o objetivo deste trabalho é conhecer a visão que estudantes usuários de políticas públicas de ações afirmativas possuem sobre BUs e sua importância para a formação. Para tanto, me valho do método de história de vida. Entrevistei quatro pessoas usuárias de políticas de ações afirmativas e que tiveram contato com a Biblioteca Central do Gragoatá (BCG), da Universidade Federal Fluminense (UFF). São pessoas negras e indígenas que concordaram em compartilhar sua história e a maneira como essa se entrelaça (ou não) com a biblioteca e com as políticas de ações afirmativas, tais como as cotas sociorraciais, o Pró-jovem, o programa Pé de Meia e outras ações para permanência estudantil. Isso me permitiu constatar que as ações afirmativas estão para além da entrada e permanência no ambiente universitário, requerendo também a reestruturação de currículos, acervos e práticas didático-pedagógicas. As pessoas entrevistadas ressaltam a importância da biblioteca enquanto espaço físico que oferece suporte e conforto para os estudos, mas propõem também que haja maior oferta de serviços culturais e artísticos. Além disso, os relatos provocam reflexões sobre aspectos de colonialidade presente nas bibliotecas, tidas muitas vezes como espaços de erudição associada a uma elite, o que causa interdições.  Por fim, é de suma importância que as bibliotecas universitárias sejam instrumentos de descolonização dos saberes. Não basta apenas o discurso antirracista: ações são necessárias para o acolhimento e atendimento das demandas de pessoas estudantes e servidoras negras, indígenas e quilombolas que circulam pelos espaços acadêmicos. As discussões sobre a atuação das BUs devem ser ampliadas e o combate ao racismo epistêmico é fundamental para que paradigmas coloniais sejam definitivamente rompidos. Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Colégio Pedro II e recebeu o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) de número 92039625.6.0000.9047.

Palavras-chave: políticas públicas de ações afirmativas; bibliotecas universitárias; racismo epistêmico; história de vida

 

Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:

Prof. Dr. Dyego de Oliveira Arruda (Orientador - PPRER-Cefet/RJ)

Profª. Drª. Franciéle Carneiro Garcês da Silva (Examinadora externa - PPGCI-ICSA/UFPA) 

Profª. Drª. Talita de Oliveira (Examinadora interna - PPRER-Cefet/RJ) 

 

Local, Data e Horário

. CEFET/RJ - Campus Maracanã, Auditório 5, Bloco E, 5o andar

. 22 de setembro de 2026

. 15h