A Coordenadoria do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
D E F E S A D E D I S S E R T A Ç Ã O
COM O TÍTULO:
“O PROJETO ENTRELIVROS: (Re)construindo identidades negras a partir da afroperspectividade nas séries iniciais do Ensino Fundamental”
Por HELOÍSE DA COSTA SILVA
Resumo
Diante do racismo estrutural que se apresenta no Brasil (ALMEIDA, 2018), entendemos que as relações sociais e de poder estão diretamente pautadas em uma divisão que tem na raça elemento fundante para estabelecer privilégios, acesso a direitos e humanização para um grupo racial específico - o branco -, em detrimento da colonização, subalternização, desumanização, extermínio e apagamento de outro - o negro. O genocídio da população negra no nosso país, assim como as políticas de encarceramento em massa, o não atendimento a direitos básicos e a falsa inclusão social dos negros demonstram como as desigualdades sociais possuem uma cor específica, e ela é negra, embora se tenha o interesse de sustentar um discurso contrário. Isso constitui-se, a partir do entendimento de Mbembe (2016), como uma construção política baseada na morte, ou uma necropolítica. O autor reverte o conceito foucaultiano de biopolítica (1976), no qual a política de Estado teria gerência sobre a vida dos componentes de uma sociedade, ao afirmar que, dentro de um sistema colonial, pautado na divisão de raças, o que existe de fato é uma política de morte, neste caso, a dos negros, nos mais diversos âmbitos. Diante disso, é possível pensar que as instituições brasileiras seguem um modelo racista e excludente e que a escola, portanto, se enquadra nesses moldes, perpetuando, ainda nos dias atuais, os ideais de idealização do branco, em detrimento da subalternização do negro nas mais variadas instâncias, sejam elas econômicas, políticas, sociais, históricas etc. Nessa perspectiva, pensar como um sistema educacional que se fundamenta dentro de um país estruturalmente racista atua no sentido de manter os valores hegemônicos que excluem crianças negras, contribuindo para a construção de identidades negativadas e de uma autoestima baixa entre esse grupo de alunos, através de materiais didáticos e auxiliares, práticas pedagógicas, construções curriculares e a própria estrutura física dos estabelecimentos de ensino, pode engendrar um processo de uma educação para a morte, ou uma necroeducação. Para esta pesquisa, realizamos um estudo de caso sobre o Projeto EntreLivros, que visa desenvolver práticas antirracistas dentro de uma instituição de Ensino Fundamental, situada na Vila Cruzeiro, favela da Zona Norte do Rio de Janeiro. O projeto pauta-se na afroperspectividade (NOGUERA, 2015), construção filosófico-educacional que une os conceitos de Quilombismo, desenvolvido por Abdias do Nascimento (1980), de Perspectivismo Ameríndio, de Eduardo Viveiros de Castro, e os ideais Afrocêntricos, de Molefi Asante (1987), e no Letramento Racial Crítico, conceito que entende as relações raciais como subjacentes a toda a estrutura social (FERREIRA, 2015). A partir das oficinas, procuramos entender: como a construção de uma necroeducação afeta os processos de construção de identidades de crianças negras nas séries iniciais do Ensino Fundamental neste espaço? É possível que projetos como o EntreLivros atuem nesses processos? De que forma podemos transformar o ambiente escolar, a fim de construir, não uma estrutura necroeducacional, mas uma educação para a vida, ou seja, bioeducacional, que valorize e positive identidades de crianças negras?
Banca Examinadora composta pelos Doutores:
Carlos Henrique dos Santos Martins, Orientador - CEFET/RJ
Talita de Oliveira - CEFET-RJ
Renato Nogueira dos Santos Junior-UFRJ
Local e data:
- Auditório V
- 14 de maio de 2018
- 18:00h
