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O olhar que enquadra e a vida que reexiste: escravizados de ganho nas litografias de Frederico G. Briggs no Rio de Janeiro oitocentista

Última atualização em Terça, 09 de Dezembro de 2025, 20h28 | Acessos: 110

A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à

DEFESA DE DISSERTAÇÃO

COM O TÍTULO

“O olhar que enquadra e a vida que reexiste: escravizados de ganho nas litografias de Frederico G. Briggs no Rio de Janeiro oitocentista”

Por: Aline de Freitas de Souza

 

Resumo:

A pesquisa investiga as representações dos escravizados de ganho na cidade do Rio de Janeiro do século XIX, conforme retratados nas litografias do artista anglo-brasileiro Frederico Guilherme Briggs, reunidas na obra Tipos e Cenas do Brasil Imperial. A dissertação analisa como essas imagens, ao mesmo tempo em que documentam a vida cotidiana urbana, funcionam como instrumentos simbólicos de disputa por espaço, poder e memória social. O estudo parte da premissa de que as litografias não são apenas registros visuais neutros, mas compõem um discurso racializado que reflete e naturaliza as hierarquias sociais da época. Para isso, a autora mobiliza os conceitos de paisagem e território, articulando-os à perspectiva das relações étnico-raciais e da geografia cultural, a fim de compreender de que modo o espaço urbano foi construído e disputado pelos corpos negros que o habitavam e transformavam. Metodologicamente, a pesquisa adota a análise iconográfica e iconológica baseada em Erwin Panofsky, permitindo interpretar as imagens tanto em seu conteúdo formal quanto nos significados sociais e simbólicos que evocam com uma revisão bibliográfica interdisciplinar, dialogando com estudos sobre escravidão urbana, iconografia oitocentista e representações visuais do trabalho escravo. O corpus empírico compreende panoramas urbanos e tipos de rua litografados por Briggs, especialmente os que retratam vendedores, carregadores e quitandeiras — personagens centrais na dinâmica da cidade imperial. Os resultados indicam que as litografias de Briggs projetam uma paisagem racializada, na qual os sujeitos negros aparecem simultaneamente como parte indispensável e invisibilizada da ordem urbana. No entanto, ao evidenciar sua presença ativa nas ruas, essas imagens também revelam formas sutis de autonomia, resistência e reexistência. Assim, os “espaços em disputa” não se limitam à geografia física, mas abrangem o campo simbólico onde se constroem memórias, pertencimentos e desigualdades. Conclui-se que a obra de Briggs, reinterpretada sob uma ótica contemporânea, possibilita repensar a história visual do Rio de Janeiro imperial, destacando o protagonismo negro na conformação da cidade e desvelando as tensões entre dominação e agência inscritas no imaginário social do Brasil oitocentista.

Palavras-chave: Escravizados de ganho; Frederico Guilherme Briggs; litografia; paisagem e território; Rio de Janeiro Imperial.

 

Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:

Prof. Dr. Patrício Pereira Alves de Sousa (Orientador - PPRER-Cefet/RJ)

Profa. Dra. Talita de Oliveira (Examinadora interna - PPRER-Cefet/RJ)

Profa. Dra. Ana Carolina Santos Barbosa Pedro Rodolpho (Examinadora externa - UERJ) 

 

Local, Data e Horário

CEFET/RJ - Campus Maracanã, Auditório 5, Bloco E, 5º andar

. 18 de dezembro de 2025

. 15h

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