“Ah, é você?”: análise discursiva do estranhamento provocado por corpos negros em funções de liderança ou prestígio em ambientes corporativos
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais tem a satisfação de convidá-lo para assistir à
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
COM O TÍTULO
" 'Ah, é você?': análise discursiva do estranhamento provocado por corpos negros em funções de liderança ou prestígio em ambientes corporativos"
Por: Marllon do Nascimento Conceição
Resumo:
Todo o processo histórico de acesso restrito à educação formal, além da preconceituosa associação entre a população negra e o trabalho socialmente menos valorizado levaram a uma discrepância entre o número de brancos e negros em funções consideradas de alta capacidade técnica e prestígio social. Os espaços e funções de maior prestígio social são, comumente, ocupados por pessoas brancas, sem que haja um questionamento ou mínima reflexão sobre isso, visto que garante a continuação daquilo que até então é entendido como normalidade. Ser um negro ocupante de um cargo de prestígio social é uma quebra de expectativa no ambiente corporativo brasileiro, daí o estranhamento habitual. Para os estudiosos da branquitude (Bento, 2002; Schuman, 2018), a brancura traz garantias que permitem às pessoas terem mobilidade na estrutura de classes. A racialidade branca e sua massacrante superioridade social são responsáveis por originar e perpetuar práticas sociais excludentes. Ser branco no Brasil é estar cercado por privilégios de acesso a bens e direitos com muita naturalidade. Ser branco é se ver representado em tudo que está associado à positividade. As instituições corporativas mantêm práticas baseadas em um suposto esforço pessoal, como se houvesse equidade entre os cidadãos, desconsiderando as peculiaridades atrozes que fizeram com que negros e negras estivessem sempre ocupando espaços de pouco prestígio social e até mesmo tendo suprimido seu direito básico de acesso aos diversos saberes científicos. A partir dessas considerações, esta pesquisa visa discutir o tema da branquitude (Bento, 2002; Schucman, 2018) e suas implicações nas relações de trabalho. O recorte feito problematiza a expansão do pensamento neoliberal, os atravessamentos de uma estrutura racista (Almeida, 2019) e como essa mesma estrutura opera em ambientes corporativos. Dentre os objetivos, busca-se investigar, através da análise do discurso, quais são os efeitos pessoais e sociais desse estranhamento causado pela quebra de expectativa e como ele se evidencia. Nesse intuito, a pesquisa, de base qualitativa, terá como recurso metodológico o conceito de prática discursiva (Maingueneau, 2002), em uma perspectiva cartográfica (Deleuze; Guattari,1996), mostrando as implicações de uma visão rizomática atravessando uma sociedade culturalmente forjada em hierarquias, sobretudo a racial.
Palavras-chave: Linguagem; Branquitude; Raça e Trabalho; Relações de poder.
Banca Examinadora composta pelas/os Doutoras/es:
Profa. Dra. Maria Cristina Giorgi (orientadora – PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dr. Dyego de Oliveira Arruda (coorientador – PPRER-Cefet/RJ)
Prof. Dr. Humberto Manoel de Santana Júnior (Examinador interno - PPRER-Cefet/RJ)
Profa. Dra. Liana de Andrade Biar (Examinadora externa - PUC-Rio)
Local, Data e Horário
. Auditório V (bloco E, 5o andar - campus Maracanã)
. 02 de maio de 2024
. 15h

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