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Projetos

Arte como Linguagens: modos de fazer, viver e sentir identidades e pertencimentos étnico-raciais

Tal proposta permeia o campo artístico com viés inter e multidisciplinar. Neste sentido, a construção de etnicidades na(s) cultura(s) e arte(s) requer instrumental interpretativo que conduz a trajetórias de pensamento disseminadas em variados campos de saber, para além do campo artístico propriamente dito. Desta forma, elencamos relevantes corpus teóricos que se  configuram como potências para a análise  e entendimento das territorialidades possíveis na longa duração e na configuração de subjetividades, ancoradas em identidades étnicas.


Racismos, identidades e discursos: construção de sentido e produção de subjetividade

Este projeto tem por objetivo refletir acerca de repertórios/discursos que abordem as questões étnico-raciais, a partir do campo dos Estudos da Linguagem, buscando ampliar as discussões em torno das problemáticas específicas da população negra e, consequentemente, contribuir para a desconstrução de ideias preconcebidas no que tange ao estereótipo racial. Para tal, buscamos a articulação entre práticas de linguagem em diferentes suportes, entendendo, como Bakhtin (1929/1979), que o outro em novos contextos dialógicos é quem possibilita a ressignificação do eu. Desse modo, esperamos poder contribuir com reflexões sobre os modos de produção de subjetividade, bem como indicar possíveis ajustes nos encaminhamentos em Análise do discurso para análises que conjuguem construção de sentido e problematizações das técnicas de controle social e formas de expressão de resistência (FOUCAULT, 1979, 1996, 2004). Nossa opção pelas práticas de linguagem considera uma abordagem discursiva (MAINGUENEAU, 1997, 2001, 2005, 2007), que possibilita observar a relação entre textos e entorno como processos de gêneses simultâneas. No que se refere especificamente ao racismo, uma evidente construção social, psicológica, afetiva, cognitiva, e que, por isso, pode ser desaprendido, dialogamos com Munanga (2006), Hall (2006), Guimarães (2009) e Fanon (2008, 2013).


Mídia, narrativa e identidade: raça e racismo numa perspectiva sócio-discursiva

O presente projeto de pesquisa visa ao estudo das construções sócio-históricas de raça e racismo nas relações dialógicas com textos (orais, escritos, fílmicos, televisivos, imagéticos, digitais, musicais etc.) e em modos narrativizados de se construir sentido sobre as identidades e o mundo social. Partindo da indissocialibilidade entre discurso, sociedade e identidades, o projeto focaliza a dimensão sócio-discursiva dos construtos de raça e racismo, considerando que as pessoas constroem suas identidades nos engajamentos em práticas discursivas localizadas na história e na cultura. Ao engajarem-se discursivamente, os atores sociais acionam seus valores, suas crenças, seus sistemas de conhecimento, suas histórias de vida e suas identidades sociais. Não podemos, assim, isentar a linguagem e suas distintas formas de expressão de sua carga ideológica, dissociá-la do seu uso, nem ignorar os efeitos políticos e éticos que emergem dessa prática. Do mesmo modo, o projeto debruça-se sobre as práticas identitárias como importante paradigma de se fazer pesquisa e de compreensão do mundo social na contemporaneidade. Interessa, aqui, o estudo de estratégias de auto-construção e de legitimação de sentidos nas instituições ou na vida cotidiana. Certas práticas identitárias se constroem a fim de legitimar determinados significados e identidades em detrimentos de outros, o que provoca um silenciamento e uma exclusão das identidades ditas diferentes à experiência normativa. Acreditamos que enfocar a dinâmica da vida social, bem como a centralidade do discurso, das narrativas e das interações mediadas por textos permite vislumbrar transformações na sociedade e rupturas nas estruturas sociais que reproduzem injustiças e sofrimento e que perpetuam formas perversas de expressão do racismo, do sexismo, da homofobia, da xenofobia e de outras formas de exclusão.


Questões étnico-raciais na dimensão das políticas públicas, do trabalho, da cultura e da produção intelectual

As pesquisas no campo das políticas públicas se desdobram em vários campos de investigação, a exemplo dos projetos no campo da saúde, da educação, do urbanismo, das populações em risco, da diversidade de gênero, das relações étnico-raciais, da literatura, da arte, do território e das territorialidades. Os pesquisadores reunidos nesse projeto transitam por todas essas temáticas a partir de projetos no campo das ciências socais, das artes e da filosofia. Tais pesquisas se organizaram em torno de políticas públicas e de trajetórias de intelectuais ligados as ciências, a literatura, a engenharia, a educação e as artes. Apesar da diversidade, tais investigações têm como ponto de convergência o estudo de temas ligados a construção das nações, as diásporas, aos movimentos libertários e libertadores, e a organização da sociedade civil. Acreditamos que os estudos em desenvolvimento colocam questões que podem ser melhor compreendidas ao tratarmos homens e mulheres imersos numa construção sociológica, política e cultural, e articulados em redes de sociabilidade, em circuitos acadêmicos, literários, religiosos e políticos.

Arte como Linguagens: modos de fazer, viver e sentir identidades e pertencimentos étnico-raciais


África-Brasil: relações políticas, econômicas, sociais e culturais

A pesquisa e o ensino sobre África conheceram no Brasil um notável desenvolvimento, especialmente desde que se tornou obrigatório o ensino de História da África e dos Africanos nas instituições de ensino públicas e privadas no Brasil por via da Lei 10.639 de 9 de Janeiro de 2003.

Este projeto de pesquisa reconhece a importância da relação histórica de África com o Brasil, considerando que se trata de uma relação que conheceu diversos momentos desde o seu início até aos dias de hoje, contribuindo de sobremaneira para a matriz cultural do Brasil, sendo de muita relevância para a fundamentação de políticas públicas a diversos níveis, no Brasil e em África.

Deste modo, importa estudar esta relação África-Brasil nas suas diversas dimensões, seja étnico-racial, política, econômica, social, cultural e artística nas suas mais variadas expressões e matizes, indo ao encontro do carácter interdisciplinar do Doutorado em relações étnico-raciais. De igual modo o projecto procura perceber esta relação África-Brasil de forma dinâmica, analisando a evolução destas relações, articulando o passado com a atualidade e questões prospectivas de evolução destas relações que importa pesquisar e discutir para melhor informar as políticas públicas. Temos assistido nos últimos anos a uma inegável intensificação das relações entre África e Brasil, cobrindo um cada vez maior número de áreas de atividade e envolvendo um igualmente crescente número de áreas sôcio-profissionais. Neste processo, para além das tradicionais relações econômicas, sociais e políticas, também os movimentos migratórios conheceram novas fases recentemente com um crescente número de refugiados e migrantes que chegaram ao Brasil e que levantam novas questões e abrem uma nova fase nesta relação histórica que importa também ter em conta.

Deste modo, várias serão as questões que se procurarão abordar neste projecto debater neste colóquio, como a de perceber se existe a descoberta de uma “nova” África resultante da pesquisa e ensino das várias realidades do continente? Existe uma nova perceção da importância do continente para as relações internacionais resultante desse percurso? Existe uma recuperação da dignidade do Africano em África e dos seus descentes na diáspora resultante desse ensino? Esse percurso tem contribuído para influenciar as relações econômicas, políticas e sociais com o continente? Como é que esta problemática é vista a partir de África e de fora dela? Qual o carácter, o peso e relevância dos novos movimentos migratórios entre África e Brasil?

A diversificada formação de origem dos pesquisadores reunidos neste projeto permite assegurar a referida interdisciplinaridade e variedade de dimensões implicadas na análise.

O projeto tem por objetivo a produção acadêmica e científica que possa contribuir para a fundamentação e desenvolvimento das atividades letivas de cada um dos pesquisadores, assim como servir de base útil de informação e fundamentação de políticas públicas na área das relações África-Brasil.

Um importante sustentáculo do projeto será o desenvolvimento de parcerias entre instituições de ensino e pesquisa Brasileiras e Africanas (por via de protocolos), assim como a busca por recursos de agências financiadoras dos dois lados do Atlântico, com especial atenção para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).


Grupos e populações com direitos ameaçados: xenofobia, racismo, políticas públicas e relações internacionais

 

O projeto analisa as práticas sociais e políticas que constituem territorialidades e identidades de grupos e populações com direitos ameaçados. Pretende compreender as estratégias de ação do Estado e as formas de ação de grupos atingidos por processo de modernização econômica e sócio-espacial, minorias étnico-raciais, gênero, moradores em espaço de segregação, entre outros, e a maneira como esses formam memórias e lugares de pertencimento. Ao longo do século XX e XXI, os processos e conflitos sócio-políticos que transcorreram no Brasil e no mundo foram fundamentais para definir direitos, construir territorialidades e estabelecer relações de identidade. Paralelo a um processo de expansão da cidadania ocorrem várias situações econômicas, sociais e políticas que perpetuam a desfiliação de indivíduos e grupos nas sociedades. Reconhecer esses atores torna-se um tema central na História, Geografia, Ciência Política, Antropologia e Sociologia, em diferentes paradigmas analíticos. Estabelecendo um escopo de análise interdisciplinar, as pesquisas reunidas nesse projeto reconstroem diferentes percursos analíticos que tem como foco o debate sobre as populações com direitos ameaçados no Brasil e no mundo.